"Não comes carne? Porquê?"
Estranho, quando eu comia carne ninguém me perguntava porque é que eu gostava de matar animais para comer. Ninguém nunca questionou por que é que eu dizia gostar de animais enquanto tinha a cara toda lambuzada daquela gordura gostosa da linguiça.
Os vegetarianos são chatos? Nunca fui chateada por um vegetariano, no entanto nunca tive de justificar tanto as minhas escolhas alimentícias, como desde que deixei de comer animais. Já fui chamada de extremista. "Uma acção, causa sempre uma reacção e tu ao impores a tua vontade..." Scusa? Impor a minha vontade?
Não vou dizer para ninguém deixar de comer carne - cada um dorme com a sua consciência e acontece que a minha não estava a ser boa na cama e eu gosto muito de dormir. Tive muitas razões para deixar de comer animais, o que vou dizer de seguida não é novidade nenhuma, mas espero que faça alguém pensar.
- Um relatório da ONU (2006), por exemplo, existem tantos outros, conclui que a indústria pecuária é responsável por cerca de 20% das emissões de gases com efeito de estufa, como Dióxido de Carbono, Óxido Nitroso (em grande parte produzido pelo estrume), Amoníaco (que contribui para as chuvas ácidas), Metano (os puns e o cocó das vacas), enquanto que os transportes era responsáveis por apenas 13%. Esta indústria contribui grandemente para o aquecimento global.
"Então quê? Por ti, têm de morrer todas as vacas. Mesmo que acabassem com a essa indústria, as vacas continuavam a libertar metano." Deixem as vacas sossegadas no ambiente delas, reproduzem-se consoante a necessidade, comem o que precisam, fazem o cocó que precisam e depois morrem, naturalmente. É diferente termos 20 vacas ou 100 vacas, 1000 vacas ou 1.000.000 de vacas. Se elas não fossem obrigadas a reproduzir-se e a crescer da forma que são, havia, naturalmente, menos vacas e menos consequências das mesmas. Deixar de comer vacas não implica a extinção da espécie. E mesmo que implicasse: preferias morrer livre ou viver escravo? Quem diz vacas diz outras...
- A produção de ração para o gado está a esgotar os recursos aquáticos e a indústria em si, é uma das grandes responsáveis pela poluição dos os mesmos, resultado das descargas de resíduos animais, como as fezes, os antibióticos, as hormonas, os fertilizantes, os pesticidas... E afecta ainda o ciclo da água, reduzindo a permeabilidade dos solos, impossibilitando/reduzindo a renovação dos lençóis de água.
"Mas as alfaces também é só água!" Contra factos não há argumentos e esse é sem dúvida uma grande merda. Eu não sei de ti, mas eu gosto muito de abrir a torneira e que saia de lá água. Gostava que isso continuasse a acontecer.
- As pastagens, para responderem ao número crescente de animais a alimentar, são responsáveis pela desflorestação, pela erosão e sedimentação dos solos.
Tal como outras industrias e outras acções, mas isso é material para depois.
- O consumo excessivo de carne é prejudicial para a saúde humana. Está mais que provado mas não convém nem é lucrativo que seja divulgado. Vários estudos (não, não li os estudos porque sou preguiçosa, mas vi os documentários, se queres ver os estudos, procura-os, não são inventados) demonstram a eficácia de uma alimentação à base de vegetais no controlo de doenças cardíacas, inflamatórias e até mesmo diabetes. A minha avó tem diabetes. A minha avó tem má circulação. Gostava que a minha avó experimentasse uma dieta diferente, para ver se podia ter outra qualidade de vida. A minha avó nem me deixou acabar a frase. Para a maior parte das pessoas, é simplesmente inconcebível retirar a carne da sua alimentação.
- As condições em que os animais são criados, transportados, mortos e tratados no geral são completamente desumanas. "É a lei da vida" e "é a cadeia alimentar" - Okay, então cria, mata e come. "Eles são criados para isso" - Porque te convém, porque te facilita a vida. "Eles não sentem" - Vai para o caralho! Este é o argumento de quem não quer mesmo saber, que fecha os olhos e conta uma mentira para se sentir melhor. Eles sentem. Eles sabem. Eles sofrem. E é por nossa causa.
Podes ignorar a última razão: podes não gostar de animais, és um filho da puta ou filha da puta, mas podes, estás no teu direito. Mas gostas de viver, ou não? Estás a ter filhos? Gostavas que eles tivessem um planeta para habitar e a possibilidade de eles próprios procriarem?
A actual produção de carne é completamente insustentável, alguma coisa tem de mudar. Não digo para todos deixarmos de comer animais - até porque (não sei mas) acho que também não seria sustentável a produção vegetal para alimentar toda a população mundial.
A solução está no meio termo: a redução no consumo de carne é absolutamente necessária. Podias tentar? Limitar o consumo a três vezes por semana, achas possível?
O quanto pouparias o Ambiente e as vidas que salvavas...
E é isto. Estas são as razões: principalmente éticas, depois ambientais e por último de saúde.
Sílvia.
domingo, 24 de março de 2019
sábado, 16 de março de 2019
Sobre A Nuvem Negra
Um dia, em conversa com um amigo, ele disse-me: "foda-se, tu (ah sim, este blog terá muitos palavrões, portanto quis começar isto com o meu preferido: foda-se. Bonito não é? Foda-se. FO-DA-SE! Tão versátil! Bem, continuando:) pareces aqueles desenhos animados que andam sempre com uma nuvem negra em cima da cabeça, sabes?"
E isto ficou-me na cabeça (tal como a nuvem).
Isto deve acontecer com toda a gente, esta sensação de que o mundo está contra nós e que nunca temos descanso mas deixo aqui uma cronologia de quando as coisas começaram mesmo a descambar, a ver se alguém me dá razão:
E isto ficou-me na cabeça (tal como a nuvem).
Isto deve acontecer com toda a gente, esta sensação de que o mundo está contra nós e que nunca temos descanso mas deixo aqui uma cronologia de quando as coisas começaram mesmo a descambar, a ver se alguém me dá razão:
- Junho 2006: Escolho Humanidades
- Junho 2010: Escolho Audiovisual e Multimédia
- Maio 2013: Acabo a faculdade e não faço ideia o que fazer com a vida.
- Setembro 2013: Começo a trabalhar num Call Center. A recibos verdes. A 30€/dia SEM subsídios (alimentação, férias, Natal...). Começa um período de dois anos e meio sem férias (porque os dias que não trabalhava, saíam-me directamente do bolso).
- Novembro 2014: Chopin (o cão que me acompanha desde a infância) morre.
- Novembro 2014: Aparece-me herpes NO OLHO, fico com uma cicatriz na córnea e consequentemente impedida de usar lentes de contacto.
- Novembro de 2015: Acaba a isenção da Segurança Social e descubro que tenho de começar a pagar, mensalmente, 124.09€ (valor real, nunca me vou esquecer).
- Dezembro de 2015: Descubro que a renda vai passar a ser dividida por dois (em vez de quatro).
- Janeiro de 2016: Descubro que o meu salário à hora irá diminuir: para além de pagar aquele valor à Segurança Social e de ir pagar mais de renda, o meu ordenado ainda diminui em quase 90€.
- Fevereiro 2016: Lil (primeira gata que crio desde bebé e que é a minha maior companhia em casa porque namorado sempre a ser explorado desde que entrou no mercado de trabalho) morre.
- Março 2016: Adopto (sim, que se foda o acordo ortográfico) dois gatinhos (a Lori e o Gaspar, vão ler sobre eles aqui de certeza) - yay!: gatinhos têm diarreias monstras durante cinco meses. Nenhum teste conclusivo. Nenhuma desparasitação eficaz. Cinco meses a limpar merda (no trabalho e em casa).
- Junho 2016: consigo finalmente mudar para um trabalho que gosto, num hospital veterinário. Parte má: "estágio profissional" de nove meses a receber 419€ + SA...
- Maio 2017: Acabo por assinar contrato de efectividade, adoro o meu trabalho mas continuo a receber o ordenado mínimo...
- Dezembro 2017: senhorio decide que as despesas com manutenção da casa ficam a nosso cargo. Desde então já se estragou a máquina de lavar roupa, o frigorífico, o suporte da luz na cozinha e a televisão.
"Mas ó Sílvia, isso não é uma nuvem negra, isso não é azar, isso é a vida." E eu quero é que vocês vão para o caralho. Isto é meu e eu é que mando aqui. E aqui vai haver muito disto.
Já tive blogs antes, parei e recomecei até que parei de vez. Mas foi lá que fui nos piores momentos para... escrever. Para tornar real e dar um ponto final. E é por isso que voltei. Precisava de um sítio onde me expor: onde ser enfadonha, onde ser desesperada, onde ser lamechas, onde ser engraçada. Da melhor forma que eu me consigo expressar: escrevendo.
Que tipo de posts que esperar deste blog?
- Demasiado deprimentes sobre coisas não tão importantes assim.
- Sobre gatos e animais em geral. Mas principalmente gatos.
- Sobre não comer animais
- Sobre ambiente
- Graçolas
E para primeiro post acho que chega. Deixem ver se isto não morre ao fim de dois meses.
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