segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Sobre Ser Necessário Ter Mais Respeito

 É necessário ter mais respeito. 

Escrevo isto do alto do meu privilégio. Em casa tenho tudo o que preciso. Em casa não me falta nada. Tenho água, luz, gás, internet, conforto, amor e até tenho amigos e família em casa - através do meu telemóvel, é claro, mas eles estão ali. Não me falta nada. Há quase um ano que trabalho em casa (com algumas interrupções), que faço compras em casa, leio, descanso e divirto-me em casa. Não me falta nada.

Sei que não é assim para todas as pessoas e não é exactamente para elas que me apeteceu escrever. Não é fácil para toda a gente ficar em casa, mesmo a quem, tal como eu, não lhe falta nada em casa. Mas falta-lhes o convívio, o ar da rua, o sol, o que for. E é a essas pessoas que eu digo que é necessário ter mais respeito. 

Também gostava de ir até ao Terreiro do Paço ou para o Jardim da Gulbenkian apanhar o solinho de Inverno, mas é necessário ter mais respeito. Também gostava de estar fisicamente com os meus amigos, abraçá-los e rir estupidamente com eles, mas é necessário ter mais respeito. Também gostava de dar um abraço à minha Avó (não sei quantos mais anos terei com ela), mas é necessário ter mais respeito. 

As medidas que têm vindo a ser tomadas pelo Governo não são perfeitas - longe disso! - e estão cheias de incompatibilidades e contradições mas a verdade é que NINGUÉM sabe lidar com isto, temos de confiar naqueles que tomam as decisões, naqueles que têm os dados, e acreditar que estão a fazer o melhor possível para controlar o incontrolável, o desconhecido e o incerto. É necessário mais respeito por quem nos Governa. 

Aflige-me pensar nas empresas fechadas e no que isso representa para a Economia e, principalmente, para as pessoas. As pessoas que vêem o seu rendimento reduzido, as pessoas que perdem o emprego, as pessoas cujo emprego já era precário antes e que agora ficaram sem meios para persistir, as pessoas que estão na rua, as pessoas que têm negócios e foram obrigadas a fechar. É necessário mais respeito por estas pessoas. Fazer a nossa parte, que é só ficar em casa e reduzir os contactos ao mínimo essencial, para que isto passe o mais rápido possível e para que essas pessoas e esses negócios possam voltar à normalidade, possam abrir portas, possam voltar a ter rendimentos. 

Há cada vez mais infectados, há cada vez mais mortos. Vai chegar a mim, a ti, aos nossos amigos, à nossa família. É necessário mais respeito por mim, por ti, pelos nossos amigos e pelas nossas famílias.

Não é difícil encontrar relatos de pessoal médico pelas redes sociais. Relatos angustiantes de pessoas que trabalham há meses praticamente sem tempo útil de descanso, horas de trabalho seguidas para além do humanamente aceitável, sem ver a família, sem poder estar com a família. Relatos de pessoas que estão a praticar medicina de guerra, com pouco pessoal, com poucos recursos, com poucas condições. Relatos de pessoas que agora, para além da responsabilidade da vida do outro (que já não era pequena), têm agora o peso inarrável da decisão sobre quem salvar, quem vive e quem morre. Uma miúda de 27 anos ou um velhote de 73 anos? Qual das miúdas de 27 anos? Qual dos velhotes de 73? Relatos de exaustão e de uma dor que nenhum de nós pode sequer começar por compreender. Relatos de pessoas que já não têm mais para dar, mas que mesmo assim continuam a dar. Porque têm que dar. 

Para mim, a maior falta de respeito é para com estas pessoas. É necessário mais respeito pelo pessoal médico e pelo SNS. 

É necessário ficar em casa, para não matar pessoas. Continua a haver outras doenças, outros acidentes, continuam a ser necessários cuidados médicos mas não há espaço, os Hospitais e as pessoas não têm como dar resposta. Está tudo cheio. Está tudo vazio. Está tudo exausto. 

É muito fácil apontar o dedo o Governo e às medidas, porque isto e aquilo. E até podes ter razão. E até podes estar a ser sacrificado de uma forma que mais ninguém compreende e a tua dor é válida, mas vivemos em sociedade e devemos respeito uns aos outros. A nossa vontade individual não se pode sobrepor ao bem comum e não pode pôr em causa o bem-estar do próximo. Antes de apontares o dedo, olha primeiro para dentro. Pondera as tua decisões. 

Quem sou eu para dizer o que deves ou não fazer? Ninguém. Mas não podia ficar calada ao ver-te a ir jantar fora porque és da Resistência. Ou a ver-te sem máscara porque o uso da mesma é um desrespeito pela tua Liberdade. Ou a ver-te passear a trela sem cão porque tinhas mesmo de ir apanhar ar. Ou a ver-te em jantares com os teus amigos porque sentes que não é isso que causa o aumento de casos. 

Ouve os especialistas, cumpre e respeita as regras e deixa-te de merdas. Pára de inventar Teorias da Conspiração para justificar a estupidez das tuas ações. Pára de matar pessoas. 

É necessário mais respeito. Por favor, tenham mais respeito.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Sobre Mais Cenas Ecológicas

Como já tinha falado no outro post Sobre O Uso De Plástico, esta coisa da ecologia não é fácil de conseguir e não é uma mudança que se faça de um dia para o outro, vai-se fazendo aos poucos e ao ritmo de cada um. 

Aqui ficam alguns produtos pelos quais fui substituindo os produtos "tradicionais" na segunda metade de 2019: 


LIMPEZA DE COZINHA

Ambas as esponjas são feitas através de uma planta chamada Luffa que têm como vantagem ser 100% biodegradável.

Quanto à esponja da loiça, estou fã: quando está seca é muito rígida e torci o nariz quando ela chegou até mim mas fiquei convencida na primeira utilização. Em contacto com a água e o detergente fica super macia e adapta-se muito bem à mão e ao objecto que está a limpar. 
Recomendo inteiramente e considero uma excelente alternativa às esponjas normais. Depois de utilizar, basta espremer e deixar a secar, sendo que ocasionalmente pode ser lavada na máquina da roupa. Dura meses e no seu final de vida é compostável e biodegradável

Em relação à esponja de limpeza de cozinha, a opinião já não é tão favorável assim: tecnicamente teria as mesmas características da esponja da loiça mas não gostei tendo em conta o papel que lhe queria dar, que era de substituição do pano de cozinha (aquele para limpar o fogão, azulejos, bancada, etc.) mas acontece que é demasiado rígida para isso e demasiado volumosa - retém muita água e aquilo que estou a limpar fica usualmente encharcado ou a escorrer água e não é bem isso que pretendo quando estou a limpar a cozinha. Para além disso, eu tenho dois gatos e, consequentemente, muitos pêlos destes agarrados, principalmente, aos azulejos, e quando passo esta esponja, os pêlos ficam entranhados nas suas fibras e fica difícil de os tirar. Isto aplica-se a outros resíduos, como restos de comida. Fica também facilmente com mau aspecto, muito suja mas experimentei lavar na máquina e ficou como nova, portanto não é por aí. Não recomendo por estas razões, no entanto ainda hei-de experimentá-la na limpeza da casa-de-banho. 

raspador de tachos, é feito com casca de côco e serve para substituir aqueles esfregões de arame. A aresta é em forma de lâmina para facilitar a raspagem e quando esta começar a desgastar-se posso aparar com uma tesoura e fica como novaDura também meses e é também 100% biodegradável. Ainda não usei.

Estes produtos foram adquiridos na Pegada Verde - é um bocado cara e pagam-se portes até aos 35€, no entanto é excelente enquanto plataforma para ver que soluções há e depois é procurar mais barato. De nada.


   
CHAMPÔ SÓLIDO
AMACIADOR SÓLIDO

Uma excelente forma de reduzir embalagens é passar do líquido para o sólido. Não tenho grande coisa a dizer a não ser: por que é que não fiz isto mais cedo? Não noto qualquer diferença (o meu cabelo até está com um ar mais saudável, mas ele, ao contrário de mim, costuma gostar de coisas novas), é fácil de usar e o único ponto negativo é mesmo o preço. Estes comprei na LUSH e rondaram os 10€ cada. Deixa ver também quanto tempo duram e se no final das contas até compensa, se não, o que não falta para aí agora, felizmente, são alternativas. Estou a usá-los há cerca de um mês e este é o aspecto deles no momento: estão praticamente do mesmo tamanho.
Para além de ecológicos, estes são também vegan.


      
SABONETE SÓLIDO


SABONETEIRA



Mesma coisa que em relação ao champô e ao amaciador, o sabonete sólido substitui na perfeição o gel de banho. Mantenho uma embalagem de gel de banho para as visitas - que não vão esfregar-se com a mesma cena com que eu me esfrego - e também para viagens.
O sabonete das mãos continua líquido, pela mesma razão: parece-me mais higiénico para visitas e também não fico com o lavatório sujo com restos de sabonete. O que eu faço aqui é comprar gel de banho concentrado ou em embalagens grandes para fazer o refill, em vez de comprar embalagens de sabonete para as mãos.


DESODORIZANTES VEGAN

Quanto aos desodorizantes, infelizmente ainda não encontrei a solução ideal. Estes foram os que experimentei até agora: 

Aromaco, LUSH: desodorizante sólido, de aplicação fácil - é como um roll on normal mas sem embalagem. No meu caso, molhei sempre antes de colocar mas não é preciso. Cumpre o dever enquanto desodorizante, na medida em que me senti confortável todo o dia, sem maus cheiros. Único ponto contra: não gosto nada do cheiro, não cheira mal mas não é agradável e isso foi o suficiente para não voltar a comprar. 

Nuud, Nuud Care: desodorizante em creme, numa embalagem de bioplástico feito a partir de cana de açúcar, de produção e distribuição sustentáveis. Sem cheiro e supostamente uma utilização dá para 3 a 7 dias. Sinceramente, não conferi a veracidade desta afirmação, sendo que tomo banho diariamente, a aplicação do desodorizante também é diária. Ainda assim, eles apregoam que fazer desporto, ter um dia activo ou tomar banho não interfere com a eficácia do produto - daí que um tubo de 20ml possa ter uma duração de 10 semanas. Usado diariamente, cumpre o seu dever. Ponto contra - no Inverno, estar a pôr creme nas axilas não me parece muito fixe: antes de me vestir, passo frio, depois de me vestir, com os quilos de roupa que eu visto, não é prático. 

Ben&Anna, Ben&Anna: desodorizante sólido, embalagem de bioplástico que se degrada totalmente após 7.5 meses a 20 graus. Cumpre a sua função e a forma de aplicação é a melhor, no entanto desfaz-se todo a puxar para cima e fica tudo sujo. Tem vários aromas e na teoria parecem todos bem, mas na prática não tem um cheiro muito forte. Não recomendo. 


No fundo, queria uma mistura dos três: a eficácia e solidez do Aromaco, o cheiro/ausência dele do Nuud e a embalagem do Ben&Anna. Continuarei à procura. 


PALHINHAS DE METAL + ESTOJO DE TRANPORTE
(PRENDA)





É fácil perceber o uso destes objectos, certo? Ando sempre com duas na mochila, dentro desse estojo. 

DISCOS DE ALOGODÃO PARA LIMPEZA FACIAL










Aqui o plástico poupado é o da embalagem e poupa-se na produção de algodão. E nas pessoas que o produzem. Também é fácil perceber, não é? Usas, lavas e usas outra vez - bem simples.







MOCHILA LEFRIK POCKET
A minha mochila de viagem - que era a Eastpak que usava desde o quinto ano (tenho 28 anos!) - começou a desfazer-se então comecei a procurar uma nova, que não fosse muito grande, fácil de transportar e para poder levar comigo no avião e que fosse sustentável. Foi assim que descobri a Lefrik, uma marca espanhola que utiliza garrafas de plástico PET na produção das suas malas e mochilas, poupando assim no plástico produzido e no consumo de água. O design é feito na Espanha mas os produtos são produzidos na Ásia mas, segundo estes, de forma ética - recorreram ao fabrico lá, tendo em conta as técnicas avançadas lá utilizadas para a transformação do PET em poliéster. São vegan, aprovados pela PETA. 


MOCHILA LEFRIK POCKET DOBRADA




Para além disto, cumprem o dever: são resistentes, impermeáveis, funcionais e muito giras! Sendo que esta tem ainda a particularidade de ser totalmente dobrável e não ocupa espaço nenhum quando não está a ser utilizada.





INFINITE BOOK
(PRENDA)





Não preciso de comprar mais cadernos na vida: escrever-apagar-escrever-apagar-escrever-apagar escrever... acho que dá para perceber.
Feito em Portugal!

Gosto desta ideia de apagar tudo o que foi feito, começar uma folha em branco como se antes lá não estivesse estado toda uma história. If only...









ESPONJA KONJAC
PRENDA)
Ainda não usei, mas estas esponjas são feitas a partir da raíz destas plantas asiáticas, são suaves após contacto com a água e podem ser usadas em recém-nascidos. Esta é a Pure, aconselhada para peles oleosas mas existem outras opções, com carvão por exemplo para usar em pele com acne. 

Devem ser substituídas ao final de um mês de utilização



CHAMPÔ SÓLIDO ARGILA VERDE
(PRENDA)


Acho que tenho sido chata persistente o suficiente com as pessoas à minha volta, dá para ver pelos presentes ecológicos que recebi no Natal e nos anos e estou muito agradecida por isso. Agora mais que oferecerem-me, o que me deixava mesmo feliz, era vê-los a adoptar um estilo de vida mais ecológico. 








Ainda que ecológico, não compres nada de que não precises. Essa é a atitude mais ecológica de todas.

Próximas mudanças: ovo para substituir o detergente da roupa, preciso de uma garrafa nova, lenços de papel reutilizáveis, cotonete reutilizável (já tenho as de papel, mas quando acabarem vou para uma reutilizável). Quando experimentar, depois falo de tudo isto.



segunda-feira, 29 de julho de 2019

Sobre Comprar Animais de Companhia

O ideal seria não comprar. "Não compre, adopte!" Bonita a frase. Mas não tem só a ver com o facto de haver centenas de milhares de animais errantes e em condições precoces em canis/gatis e associações que merecem de lá sair e ter um lar, uma família, amor e cuidados. Tem a ver com sustentar uma indústria que continua a ver os animais como propriedade e como fonte de rendimento fácil.
Era bom que ao menos quisesse dizer que a pessoa comprou, investiu dinheiro, portanto vai cuidar, não vai abandonar de certeza. Errado. Quantos animais de raça foram comprados e depois abandonados à sua sorte? Mas este não é um texto contra a compra de animais.

Trabalhei num Hospital Veterinário, eu compreendo as dificuldades em pagar as despesas veterinárias, as contas podem atingir valores altíssimos e não é qualquer bolso que pode maaas:

A coisa que mais me irritava ver eram "donos" com animaizinhos de raça - porque são muito giros -, que tiveram dinheiro na hora de os comprar - e há animais a ser vendidos por autênticos balúrdios -, mas na hora de os tratar... "É muito caro, deixe estar. Por esse preço compro outro." - estou a exagerar, nunca ninguém me disse isto. Por estas palavras.

Por isso, por favor, antes de comprar ou adoptar:

CONFIRMAR COM AS FINANÇAS
Não é com a Autoridade Tributária, é mesmo com as vossas finanças pessoais:
  • Qual é o meu rendimento familiar e quanto posso despender por mês?
  • Quero ter um gato ou um cão? Ou outro?*
  • Posso ter mais que um? Tenho espaço e dinheiro para isso?
  • Quero um cão de que tamanho? 
  • Quanto custa em média ter um gato ou um cão, do porte que eu quero, por ano?
  • Quais são as vacinas obrigatórias e/essenciais? 
  • Cirurgias electivas como esterilização, é importante fazer ou não? Quanto custa? Quando devo fazer?
  • Que outros custos posso vir a ter?
CONFIRMAR TEMPO E PACIÊNCIA
Os animais não são pessoas - não podemos explicar-lhes: "olha, não podes fazer isto porque é errado" ou "não, estive a trabalhar o dia inteiro, ainda tenho que fazer o jantar e dar banho ao puto, por isso não vais à rua. Vai-te deitar que eu não tenho tempo para de te dar atenção." 
E isto é válido desde o início, quando se leva o animal para casa - quer seja bebé ou adulto -  como na recta final da vida do animal, seja por doença ou velhice, é importante que estejamos preparados para lidar com isso, porque eles não vivem para sempre, nem estão sempre lindos e saudáveis.
Tem que haver muita paciência para se criar rotinas conjuntas, impor regras, para que todos possam viver em harmonia até ao final da vida (do animal, em princípio)
Isto não se aplica só aos cães - "ah os gatos são super independentes... estão para ali e não precisam de nada" - ya, se quiseres ter um gato otário é assim que deves agir. Adiante porque há-de haver um "Sobre Gatos"... "um"... ahah, tipo dez. Continuando:

CONFIRMAR COM OS RESTANTES FAMILIARES/HABITANTES DA CASA
Nunca pode ser uma imposição porque a meio do caminho vai dar merda - ou a pessoa que não queria não se responsabiliza ou chega mesmo a ser negligente e quem sofre é o animal.
Estamos a introduzir um novo membro da família, tem de ser bem-vindo por todos e tem de ser responsabilidade de todos. Se a família alarga depois do animal estar lá em casa: adaptem-se. Façam-no com respeito por todos os membros.
E as doenças que os animais trazem...! Os parasitas, as alergias... Quantas histórias de alergias já ouvi... Há alergias? Ao quê? A solução é sempre livrar-se do animal. Assume-se que a alergia "tem de ser do pêlo ou da saliva" ou do caralho que nos foda a todos. Primeiro: qual é realmente o alérgeno a que a pessoa é sensível? Por norma, a exposição contínua e progressiva ao mesmo é o suficiente para "curar" a alergia, outras formas mais graves de alergia podem ser tratadas clinicamente ou através de imunoterapia. Mas se não estás para isso, informa-te antes de adoptar. Se só descobres depois, lida com isso como uma pessoa crescida.
E a toxoplasmose e as mulheres grávidas? Informem-se, por favor.

INFORMAR ACERCA DE RAÇAS
Isto para evitarmos as tais situações em que "há dinheiro para comprar, mas não há dinheiro para cuidar/tratar". Informem-se, saibam o que vão comprar. Claro que também podemos ter "azar" quando adoptamos um rafeirote - o meu gato veio de um motor de um carro e tem problemas respiratórios/alérgicos - mas as probabilidades são menores porque, por norma, são os mais saudáveis. No que toca a raças há coisas que estão estudadas e referenciadas como "defeito de fabrico" - não esqueçamos como foram conseguidas raças: cruzamentos e cruzamentos de raças, manipulação genética... e se não é natural, dá mais erros - por isso é importante que haja uma pesquisa, um pedido de informações para que se tome uma decisão ponderada e informada sobre o animal que se vai adquirir e não só "este é giro, este é engraçado - vou comprar." Não.
Melhor/pior exemplo: braquicéfalos (nariz para dentro e olhos esbugalhados), são poços de problemas. Ele é dificuldades respiratórias, problemas cardíacos, problemas de pele, outros defeitos congénitos e mal-formações. Queres comprar um buldogue francês? São muita giros, não são? Força, mas espero que saibas que tens pelo menos duas cirurgias no teu futuro: o palato mole é grande de mais, pode tapar a glote e ele pode sufocar; abertura de narinas - achavas engraçado ele "ressonar" imenso e estar sempre a "roncar"? É mesmo ele que mal consegue respirar. Divertido, não é?
Claro que podes ter sorte e corre tuuuudo bem. Mas mais vale estares preparado para o pior e depois correr do que o contrário, ou não?

INFORMAR ACERCA DE SEGUROS
É importante para todos! Com ou sem raça, com ou sem pedigree. Como disse, eu sei que é dispendioso - não é caro, se vocês fossem ao privado de humanos sem seguro, nunca pagariam tão pouco. Não é caro, é dispendioso - e então mais vale estarmos preparados e termos algum backup. Há cada vez mais uma grande variedade de seguros para animais de companhia, que cobrem mais ou menos coisas, em maior ou menor percentagem, mas há muita opção. Informem-se e escolham aquele que melhor se adapte às vossas possibilidades e necessidades - vão agradecer, no dia em que tiverem de deixar o vosso Grand Danois internado num Hospital Veterinário ou o vosso gato com Insuficiência Renal Crónica ou, deus nos livre e guarde, o vosso cão ou gato que caiu da janela e precisa de cirurgia ortopédica. Ou uma resolução de catarata! Depois não digam que não avisei.

*Até aqui o que escrevi foi mais a pensar em cães e gatos, porque também é a realidade que conheço melhor, no entanto há mais animais a ser comprados.
Tudo o que não é cão e gato, em termos veterinários, é considerado exótico. Por exemplo, roedores, tartarugas, pássaros, répteis, são todos considerados exóticos e requerem cuidados e condições específicas portanto, antes de adquirir ou até adoptar um animal destes é necessário saber se lhes podemos proporcionar uma boa qualidade de vida e recriar o seu habitat natural - isto nunca é verdadeiro, por muito dedicados, amorosos e bem intencionados que sejam. Uma iguana - adoro, adoro! mas nunca teria, porque - precisa de luz UVA e UVB, temperatura a X%, uma percentagem de terra e outra de água, humidade a X%... e sei lá eu mais o quê... se é preciso ter cuidado ao escolher um cão ou gato, muito mais é necessário para ter um animal exótico. E mais não digo porque não sei.

Comprar (a meu ver) é errado mas pior é quando não se tem em conta as coisas acima descritas e quando:

COMPRAM PARA OS FILHOS / PARA OFERECER
É o teu filho de cinco, dez ou quinze anos que vai cuidar? É ele que vai trabalhar para comprar coisas para ele? É ele que vai passear ou limpar a caixa da areia? O puto pode achar muita piada, mas a responsabilidade é tua! 
Para oferecer a quem? A pessoa disse-te que queria? A pessoa tem condições? A pessoa já pensou em todas aquelas questões lá de cima? Ai é uma surpresa? Então é bom que estejas preparado para pagar a conta e para te responsabilizares na hora H. Não pode ser uma imposição nem pode ser uma decisão impulsiva!

COMPRAM SEM SABER A QUEM E EM QUE CONDIÇÕES
Há tanta gente a explorar animais só pelo negócio, cadelinhas e gatinhas que tudo o que fazem é estar grávidas para depois lhes venderem os bebés. Ficam antes, durante e depois do parto em condições miseráveis, sem o mínimo acompanhamento veterinário ou cuidados básicos como suplementação e alimentação específica para mamãs...
Ou os animais exóticos, que chegam até nós como resultado do tráfico ilegal de animais, araras e papagaios dentro de garrafas de plástico e sabe-se lá mais o quê, em que condições e em quanto tempo de viagem...
Não suportem este tipo de indústria, é bárbaro e é desumano.


Somos seres conscientes, ajamos como tal.






quinta-feira, 9 de maio de 2019

Sobre O Uso De Plástico

O problema não é o plástico mas as pessoas - como aliás acontece com tudo na vida.
O problema não é o plástico mas o uso que lhe é dado.
A National Geographic partilhou há algum tempo um estudo que revela que de todo o plástico alguma vez produzido, APENAS 9% foi reciclado e isto ainda choca mais porque vem associado a frases como "até meio do século haverá mais plástico que peixe [nos oceanos]" ou "há microplásticos no sal, nos alimentos, na água".

O objectivo deste texto não é demonizar o plástico, porque algum plástico até é porreiro: facilita-nos a vida, é mais barato, aquece-nos, dá-nos prazer... etc.  Okay, é normal que muito do plástico que se produz não seja reciclado mas esse é o fixe, porque é o plástico de longa duração. Encontramos plástico em tudo quanto é merda: roupa, calçado, almofadas, objectos de decoração, electrodomésticos, automóveis, capas de livros, maçanetas... TUDO! Tudo tem plástico ao que parece.
Tudo bem, não é fácil fugir mas podemos ter cuidado com o uso que lhe damos "ah mas eu reciclo", primeiro nem todos os plásticos são recicláveis e depois eu aprendi, ainda andava na escola primária, que "Reciclar" é o último R! Reduzir-Reutilizar-Reciclar era esta a ordem! Entretanto já inventaram a Política dos 4 e dos 5 R's mas acho que isso também já é esticar a corda.

Então o que é Reduzir (aplicado ao plástico, neste contexto, mas que serve para tudo na vida)?
1. Reduzir é ter a certeza que é necessário antes de comprar. Tipo: é um desodorizante? É uma escova de dentes? É necessário. É um telemóvel novo quando o meu está perfeitamente bom e só tem três meses de utilização? Não é necessário.
2. Tendo a necessidade de adquirir o produto e sabendo que a utilização que lhe vou dar é relativamente curta, posso substituir o plástico por outro material? Há uma solução mais sustentável para satisfazer a minha necessidade? A resposta geralmente é: SIM!


Tampas para taças para substituir o papel de alumínio.
Silicone, laváveis, reutilizáveis para sempre. Comprei também umas direitas e maiores para as taças maiores e para os pratos.
Escova de dentes em bambu

Saco de pano mega giro. Não vale a pena falar dos sacos grandes para levar as compras em detrimento dos sacos de plástico porque isso é óbvio. Mas às vezes há aquelas compras de urgência, então esse saco anda sempre na mala e nunca preciso de um saco de plástico.

Sacos para a fruta e legumes. Vou comprar uns mais pequenos para os frutos secos. Também andam sempre na mala comigo, para não haver desculpas. Normalmente os que tenho são o suficiente mas, se faltar, as bananas, pimentos, legumes assim maiores que compro em menor quantidade, colo a etiqueta directamente na casca.
Um argumento dos produtores de plástico é que as bactérias se acumulam neste tipo de alternativas. Ahah. Eu costumo lavar, mas cada um faz como quer - free living. E não, não estou a gastar mais água. Primeiro porque produzir plástico gasta água pa caralho, depois eu já ia lavar roupa de qualquer maneira e isto não me obriga a fazer uma lavagem extra.
Já tenho a minha bobble (garrafa de água ou vinho ou o que eu quiser) há imenso tempo e já ofereci pelo menos duas, mas ainda faltam imensas coisas, entre elas o desodorizante e a pasta de dentes... só que eu tenho um problema: para além de querer mudar o mundo, também sou pobre. E estas opções ainda são bastante mais dispendiosas do que as ditas tradicionais. Ainda tenho um longo caminho a percorrer. Apesar destes "cuidados" no fim das compras do supermercado olho para o carrinho e vejo imenso plástico: enlatados, batatas fritas, massa, arroz, gel lubrificante... uma série de coisas. Outra cena onde não tenho cuidado é na roupa que compro - também não compro muita, a meu ver - mas de facto não tenho tido isso em conta e a indústria têxtil é uma das mais poluentes, mas não quero entrar por ai agora que isto já vai longo. Também acredito no equilíbrio, escolhe umas cenas de que não abdicas nem por nada e esforça-te por poupar nas outras - só não não faças nada. 
Eu sei que a maior parte das pessoas se está completamente a cagar... e não admira, quando temos os Chefes Máximos das maiores potências mundiais a dizer que é tudo uma brincadeira e que o planeta está melhor que nunca e continuam a fazer guito à custa de todo o mundo.
Eu sei que é necessária uma mudança à escala mundial e que sem ela os esforços da pessoa comum e individual pouco mudam. Eu sei. Mas ao mesmo tempo, o facto do meu vizinho ter roubado 10.000.000€, não me permite roubar 10€ e sair impune. O facto do meu outro vizinho ter matado dez pessoas - eu vivo num bairro manhoso - não me dá o direito de matar só uma e ser na boa. Não nos podemos desculpabilizar individualmente, pelos erros do próximo. "Desculpe mas a senhora não pode vir trabalhar nua". "Ao menos vim só trabalhar nua aqueles três estão a foder ali ao lado e está uma fila de 15 clientes para atender." Sinto que estou a dispersar.

"É pá, eu não estou para me chatear com isso, eu só só um, que diferença é que vou fazer? Nem consumo assim tanto plástico." Este argumento faz tanto sentido como o argumento "vou votar para quê? Ficam lá sempre os mesmos!" Ó burro do caralho, se calhar, só se calhar, se fores lá e votares noutro, se toda a gente que pensa assim FOR LÁ E VOTAR NOUTRO, TALVEZ NÃO FIQUEM LÁ SEMPRE OS MESMOS! Este crescendo de tamanho de letra tem por intuito exprimir o aumento do meu tom de voz e de irritação sempre que oiço este tipo de argumentos idiotas! Espero que fique explícito.
Continuando:

Eu acredito e gosto mesmo desta frase, fica melhor em inglês, so bear with me:
" 
be the change you want to see in the world.
 "
Quem sou eu para querer mudar o mundo, quando nem a minha própria família eu consegui convencer a fazer reciclagem - uma merda tão básica. Mas cá continuo, na minha ingenuidade, mudando-me a mim própria, com a ambição de ser cada vez melhor, tentando influenciar as pessoas à minha volta, com o objectivo último de salvar o mundo.


Sílvia.


segunda-feira, 6 de maio de 2019

Sobre Stand Up Na Primeira Metade De 2019

Gosto de me rir, gosto de pessoal que conta piadas, sempre gostei mas parece que só no ano passado despertei verdadeiramente para os prazeres do humor. Posso até dizer que entrei na puberdade do humor, naquela altura das descobertas, sabes ou não? Só penso em humor, fico toda excitada com humor, estou sempre à procura de mais humor, fico toda molhada nos olhos de chorar a rir... é pá só penso em rir-me, só me quero rir.
Ele foi papar espectáculos de stand up da Netflix, canais de Youtube papados do início ao fim, stand up no youtube; ele é podcasts de dois anos papados integralmente, ele é contas de Instagram... EU VOU A TODOS!
Depois comecei com vontade de experimentar fisicamente. A Internet já não chegava eu precisei de entregar o meu corpo aos humoristas portugueses (a pagar).

O primeiro a despertar isso em mim foi o Diogo Batáguas, já tinha papado o canal dele e adorado o gajo e ele tinha umas datas em Lisboa e Almada no final de 2018 para as quais eu, estupidamente, já não consegui comprar bilhete a tempo. Fiquei muito triste, chorei muito, vi mais uns vídeos, senão quando ele anuncia novas datas em Lisboa em Fevereiro de 2019: abarbatei logo!

"Quero Lá Saber" de Diogo Batáguas

Adorei o espectáculo, ele é super expressivo e isso acrescenta imenso às histórias contadas. O mal de conheceres bem o trabalho de uma pessoa é que depois não é tão surpreendente, já conhecia algumas piadas, outras já estava mesmo a ver onde iam parar, no entanto valeu muito a pena! Foi um espectáculo muito muito divertido e que ainda me deu a conhecer um outro humorista, o Rui Cruz (que não estava presente fisicamente mas em histórias do Batáguas). Esta sessão foi filmada e portanto deve de ir ficar disponível no Youtube ou em DVD, não sei, de qualquer forma aconselho vivamente a sua visualização.

"Só De Passagem" de Guilherme Duarte

Este foi presente de aniversário. Adoro o Guilherme Duarte! Li o blog dele - Por Falar Noutra Coisa - na íntegra (vá, saltei os posts sobre futebol) quando trabalhava no Call Center e era a coisa mais positiva do meu dia de trabalho. Desde então comecei a seguir de perto o que ele fazia: blog, vídeos (Falta de Chá), podcast (Sem Barbas na Língua, com Hugo Gonçalves) e eu identifico-me imenso com ele, na forma de pensar. Confesso que gosto mais da escrita dele do que vê-lo no formato de stand up, talvez por ter sido assim que o conheci e que criei a primeira relação com ele.
Sobre o Só De Passagem, adorei, tal como aconteceu com o Batáguas, já conhecia algumas puchlines, o que não retira a piada, espectáculo muito bem montado, o início foi brilhante, com as diversas partes interligadas e com o meu tipo de piadas preferido: bebés mortos, violações de crianças, críticas à Igreja, esses temas consensuais. Tal como no solo do ano passado (o primeiro, portanto ele ainda está muito no início nisto do stand up) - Por Falar Noutra Coisa - houve um rap/uma dissertação interventiva, e gostei muito mais da do primeiro (que vi no Youtube, este ano foi a primeira vez que o vi ao vivo). Ainda há datas disponíveis, ide ver se vos aprouver.

"Memento Mori" de Rui Sinel de Cordes

O Sinel de Cordes... ai o Sinel de Cordes. Foi tudo o que eu estava a espera. Só a gaja que estava a minha frente a rir que nem uma porca é que me estragou um bocado o espectáculo, histérica de merda. E as pessoas que no início do espectáculo achavam que aquilo era suposto ser o público a fazer piadas de merda e estragaram o início do DVD ao gajo, era enrabá-los a todos e a todas (porque eu sou politicamente correcta) com um tronco de oliveira até ficarem todos assados e depois punha outra vez até sair pela boca.
Pronto já me acalmei.
O Sinel de Cordes é aquele que diz tudo e está a cagar-se para tudo e é perfeito. Ou não fosse ele o único humorista certificado pelo Estado Português *wink wink*. Não tenho nada a dizer, a não ser que estou ansiosa pelos DOIS solos que ele vai ter no próximo ano.
Vão chamar-se O Início e O Fim: O Início é a visão dele desde o início do mundo até 2020 e O Fim é como ele acha que vai ser o mundo, até o mesmo acabar. Ya, ele anunciou isso. E não, não estou a dar spoiler, ponto número um porque ninguém lê isto, ponto número dois porque já tinha sido notícia em Março, que eu tive o cuidado de ir ver.


"Consciente" de Luís Franco Bastos
Ele não quer ser só o gajo que imita vozes, ele quer ser humorista e ele é um grande humorista! Agora, não fazia sentido nenhum não se fazer valer da habilidade que ele tem para fazer vozes diferentes da dele. E é do caralho! Ele conta histórias e fá-lo de uma forma exímia. O facto de ele usar diferentes vozes enquanto o faz, transporta-te para lá, para aquele cenário e é como se estivesses a assistir à história em directo, presencialmente. E mostra que não é preciso ser macabro e negro para fazer rir.
De todos, foi o único que disse estar a pensar ter filhos - só por aí já perdeu pontos.



E foi isto, não consigo ordenar do que gostei mais para o que gostei menos, eu tenho muita dificuldade em apontar preferidos - seja no que for - são todos diferentes, diferentes estilos e são todos bons e eu quero todos. Para o ano, repito todos. 
Ainda tenho bilhete para a última data de Roda Bota Fora deste ano, só porque estou curiosa com o que acontece antes do que vai para o Youtube - que sim senhora, é engraçado, pelo avacalhanço e pelas piadas, mas não me levaria a pagar para ir ver. Mas estou mesmo curiosa para saber o texto que eles apresentam antes, já gosto do Guilherme Fonseca há muito tempo e entretanto apaixonei-me pelo Pedro Durão.
No final deste ano ainda espero ir a um solo do Dário Guerreiro, o Môce dum Cabréste, que também só recentemente comecei a seguir - claro que já tinha ouvido falar e já tinha visto uma coisa ou outra mas que por alguma razão não fui ver mais - e do Pedro Teixeira da Mota, que me parece ser uma pessoa muito inteligente mas já saturei um bocado do formato do podcast dele. Para além disso, ele está sempre a dizer que no stand up é que ele é fixe e eu quero confirmar isso ao vivo. Entretanto ele já colocou o solo do ano passado no Youtube, o Impasse, mas ainda não tive tempo para ver. Talvez veja hoje à noite. E talvez fique sem vontade de ir ver o gajo ao vivo. 


Sílvia.




domingo, 24 de março de 2019

Sobre Não Comer Carne

"Não comes carne? Porquê?"
Estranho, quando eu comia carne ninguém me perguntava porque é que eu gostava de matar animais para comer. Ninguém nunca questionou por que é que eu dizia gostar de animais enquanto tinha a cara toda lambuzada daquela gordura gostosa da linguiça.
Os vegetarianos são chatos? Nunca fui chateada por um vegetariano, no entanto nunca tive de justificar tanto as minhas escolhas alimentícias, como desde que deixei de comer animais. Já fui chamada de extremista. "Uma acção, causa sempre uma reacção e tu ao impores a tua vontade..." Scusa? Impor a minha vontade?
Não vou dizer para ninguém deixar de comer carne - cada um dorme com a sua consciência e acontece que a minha não estava a ser boa na cama e eu gosto muito de dormir. Tive muitas razões para deixar de comer animais, o que vou dizer de seguida não é novidade nenhuma, mas espero que faça alguém pensar.


- Um relatório da ONU (2006), por exemplo, existem tantos outros, conclui que a indústria pecuária é responsável por cerca de 20% das emissões de gases com efeito de estufa, como Dióxido de Carbono, Óxido Nitroso (em grande parte produzido pelo estrume), Amoníaco (que contribui para as chuvas ácidas), Metano (os puns e o cocó das vacas), enquanto que os transportes era responsáveis por apenas 13%. Esta indústria contribui grandemente para o aquecimento global.

"Então quê? Por ti, têm de morrer todas as vacas. Mesmo que acabassem com a essa indústria, as vacas continuavam a libertar metano." Deixem as vacas sossegadas no ambiente delas, reproduzem-se consoante a necessidade, comem o que precisam, fazem o cocó que precisam e depois morrem, naturalmente. É diferente termos 20 vacas ou 100 vacas, 1000 vacas ou 1.000.000 de vacas. Se elas não fossem obrigadas a reproduzir-se e a crescer da forma que são, havia, naturalmente, menos vacas e menos consequências das mesmas. Deixar de comer vacas não implica a extinção da espécie. E mesmo que implicasse: preferias morrer livre ou viver escravo? Quem diz vacas diz outras...

- A produção de ração para o gado está a esgotar os recursos aquáticos e a indústria em si, é uma das grandes responsáveis pela poluição dos os mesmos, resultado das descargas de resíduos animais, como as fezes, os antibióticos, as hormonas, os fertilizantes, os pesticidas... E afecta ainda o ciclo da água, reduzindo a permeabilidade dos solos, impossibilitando/reduzindo a renovação dos lençóis de água.
"Mas as alfaces também é só água!" Contra factos não há argumentos e esse é sem dúvida uma grande merda. Eu não sei de ti, mas eu gosto muito de abrir a torneira e que saia de lá água. Gostava que isso continuasse a acontecer.

- As pastagens, para responderem ao número crescente de animais a alimentar, são responsáveis pela desflorestação, pela erosão e sedimentação dos solos.
Tal como outras industrias e outras acções, mas isso é material para depois.

- O consumo excessivo de carne é prejudicial para a saúde humana. Está mais que provado mas não convém nem é lucrativo que seja divulgado. Vários estudos (não, não li os estudos porque sou preguiçosa, mas vi os documentários, se queres ver os estudos, procura-os, não são inventados) demonstram a eficácia de uma alimentação à base de vegetais no controlo de doenças cardíacas, inflamatórias e até mesmo diabetes. A minha avó tem diabetes. A minha avó tem má circulação. Gostava que a minha avó experimentasse uma dieta diferente, para ver se podia ter outra qualidade de vida. A minha avó nem me deixou acabar a frase. Para a maior parte das pessoas, é simplesmente inconcebível retirar a carne da sua alimentação.

- As condições em que os animais são criados, transportados, mortos e tratados no geral são completamente desumanas. "É a lei da vida" e "é a cadeia alimentar" - Okay, então cria, mata e come. "Eles são criados para isso" - Porque te convém, porque te facilita a vida. "Eles não sentem" - Vai para o caralho! Este é o argumento de quem não quer mesmo saber, que fecha os olhos e conta uma mentira para se sentir melhor. Eles sentem. Eles sabem. Eles sofrem. E é por nossa causa.

Podes ignorar a última razão: podes não gostar de animais, és um filho da puta ou filha da puta, mas podes, estás no teu direito. Mas gostas de viver, ou não? Estás a ter filhos? Gostavas que eles tivessem um planeta para habitar e a possibilidade de eles próprios procriarem?
A actual produção de carne é completamente insustentável, alguma coisa tem de mudar. Não digo para todos deixarmos de comer animais - até porque (não sei mas) acho que também não seria sustentável a produção vegetal para alimentar toda a população mundial.
A solução está no meio termo: a redução no consumo de carne é absolutamente necessária. Podias tentar? Limitar o consumo a três vezes por semana, achas possível?
O quanto pouparias o Ambiente e as vidas que salvavas...

E é isto. Estas são as razõesprincipalmente éticasdepois ambientais e por último de saúde.


Sílvia.

sábado, 16 de março de 2019

Sobre A Nuvem Negra

Um dia, em conversa com um amigo, ele disse-me: "foda-se, tu (ah sim, este blog terá muitos palavrões, portanto quis começar isto com o meu preferido: foda-se. Bonito não é? Foda-se. FO-DA-SE! Tão versátil! Bem, continuando:) pareces aqueles desenhos animados que andam sempre com uma nuvem negra em cima da cabeça, sabes?"
E isto ficou-me na cabeça (tal como a nuvem).

Isto deve acontecer com toda a gente, esta sensação de que o mundo está contra nós e que nunca temos descanso mas deixo aqui uma cronologia de quando as coisas começaram mesmo a descambar, a ver se alguém me dá razão:

  • Junho 2006: Escolho Humanidades
  • Junho 2010: Escolho Audiovisual e Multimédia
  • Maio 2013: Acabo a faculdade e não faço ideia o que fazer com a vida.
  • Setembro 2013: Começo a trabalhar num Call Center. A recibos verdes. A 30€/dia SEM subsídios (alimentação, férias, Natal...). Começa um período de dois anos e meio sem férias (porque os dias que não trabalhava, saíam-me directamente do bolso).
  • Novembro 2014: Chopin (o cão que me acompanha desde a infância) morre.
  • Novembro 2014: Aparece-me herpes NO OLHO, fico com uma cicatriz na córnea e consequentemente impedida de usar lentes de contacto. 
  • Novembro de 2015: Acaba a isenção da Segurança Social e descubro que tenho de começar a pagar, mensalmente, 124.09€ (valor real, nunca me vou esquecer).
  • Dezembro de 2015: Descubro que a renda vai passar a ser dividida por dois (em vez de quatro).
  • Janeiro de 2016: Descubro que o meu salário à hora irá diminuir: para além de pagar aquele valor à Segurança Social e de ir pagar mais de renda, o meu ordenado ainda diminui em quase 90€.
  • Fevereiro 2016: Lil (primeira gata que crio desde bebé e que é a minha maior companhia em casa porque namorado sempre a ser explorado desde que entrou no mercado de trabalho) morre. 
  • Março 2016: Adopto (sim, que se foda o acordo ortográfico) dois gatinhos (a Lori e o Gaspar, vão ler sobre eles aqui de certeza) - yay!: gatinhos têm diarreias monstras durante cinco meses. Nenhum teste conclusivo. Nenhuma desparasitação eficaz. Cinco meses a limpar merda (no trabalho e em casa).
  • Junho 2016: consigo finalmente mudar para um trabalho que gosto, num hospital veterinário. Parte má: "estágio profissional" de nove meses a receber 419€ + SA...
  • Maio 2017: Acabo por assinar contrato de efectividade, adoro o meu trabalho mas continuo a receber o ordenado mínimo... 
  • Dezembro 2017: senhorio decide que as despesas com manutenção da casa ficam a nosso cargo. Desde então já se estragou a máquina de lavar roupa, o frigorífico, o suporte da luz na cozinha e a televisão.
"Mas ó Sílvia, isso não é uma nuvem negra, isso não é azar, isso é a vida." E eu quero é que vocês vão para o caralho. Isto é meu e eu é que mando aqui. E aqui vai haver muito disto. 
Já tive blogs antes, parei e recomecei até que parei de vez. Mas foi lá que fui nos piores momentos para... escrever. Para tornar real e dar um ponto final. E é por isso que voltei. Precisava de um sítio onde me expor: onde ser enfadonha, onde ser desesperada, onde ser lamechas, onde ser engraçada. Da melhor forma que eu me consigo expressar: escrevendo. 

Que tipo de posts que esperar deste blog?

- Demasiado deprimentes sobre coisas não tão importantes assim.
- Sobre gatos e animais em geral. Mas principalmente gatos. 
- Sobre não comer animais
- Sobre ambiente
- Graçolas

E para primeiro post acho que chega. Deixem ver se isto não morre ao fim de dois meses.



Sobre Ser Necessário Ter Mais Respeito

 É necessário ter mais respeito.  Escrevo isto do alto do meu privilégio. Em casa tenho tudo o que preciso. Em casa não me falta nada. Tenho...