quinta-feira, 9 de maio de 2019

Sobre O Uso De Plástico

O problema não é o plástico mas as pessoas - como aliás acontece com tudo na vida.
O problema não é o plástico mas o uso que lhe é dado.
A National Geographic partilhou há algum tempo um estudo que revela que de todo o plástico alguma vez produzido, APENAS 9% foi reciclado e isto ainda choca mais porque vem associado a frases como "até meio do século haverá mais plástico que peixe [nos oceanos]" ou "há microplásticos no sal, nos alimentos, na água".

O objectivo deste texto não é demonizar o plástico, porque algum plástico até é porreiro: facilita-nos a vida, é mais barato, aquece-nos, dá-nos prazer... etc.  Okay, é normal que muito do plástico que se produz não seja reciclado mas esse é o fixe, porque é o plástico de longa duração. Encontramos plástico em tudo quanto é merda: roupa, calçado, almofadas, objectos de decoração, electrodomésticos, automóveis, capas de livros, maçanetas... TUDO! Tudo tem plástico ao que parece.
Tudo bem, não é fácil fugir mas podemos ter cuidado com o uso que lhe damos "ah mas eu reciclo", primeiro nem todos os plásticos são recicláveis e depois eu aprendi, ainda andava na escola primária, que "Reciclar" é o último R! Reduzir-Reutilizar-Reciclar era esta a ordem! Entretanto já inventaram a Política dos 4 e dos 5 R's mas acho que isso também já é esticar a corda.

Então o que é Reduzir (aplicado ao plástico, neste contexto, mas que serve para tudo na vida)?
1. Reduzir é ter a certeza que é necessário antes de comprar. Tipo: é um desodorizante? É uma escova de dentes? É necessário. É um telemóvel novo quando o meu está perfeitamente bom e só tem três meses de utilização? Não é necessário.
2. Tendo a necessidade de adquirir o produto e sabendo que a utilização que lhe vou dar é relativamente curta, posso substituir o plástico por outro material? Há uma solução mais sustentável para satisfazer a minha necessidade? A resposta geralmente é: SIM!


Tampas para taças para substituir o papel de alumínio.
Silicone, laváveis, reutilizáveis para sempre. Comprei também umas direitas e maiores para as taças maiores e para os pratos.
Escova de dentes em bambu

Saco de pano mega giro. Não vale a pena falar dos sacos grandes para levar as compras em detrimento dos sacos de plástico porque isso é óbvio. Mas às vezes há aquelas compras de urgência, então esse saco anda sempre na mala e nunca preciso de um saco de plástico.

Sacos para a fruta e legumes. Vou comprar uns mais pequenos para os frutos secos. Também andam sempre na mala comigo, para não haver desculpas. Normalmente os que tenho são o suficiente mas, se faltar, as bananas, pimentos, legumes assim maiores que compro em menor quantidade, colo a etiqueta directamente na casca.
Um argumento dos produtores de plástico é que as bactérias se acumulam neste tipo de alternativas. Ahah. Eu costumo lavar, mas cada um faz como quer - free living. E não, não estou a gastar mais água. Primeiro porque produzir plástico gasta água pa caralho, depois eu já ia lavar roupa de qualquer maneira e isto não me obriga a fazer uma lavagem extra.
Já tenho a minha bobble (garrafa de água ou vinho ou o que eu quiser) há imenso tempo e já ofereci pelo menos duas, mas ainda faltam imensas coisas, entre elas o desodorizante e a pasta de dentes... só que eu tenho um problema: para além de querer mudar o mundo, também sou pobre. E estas opções ainda são bastante mais dispendiosas do que as ditas tradicionais. Ainda tenho um longo caminho a percorrer. Apesar destes "cuidados" no fim das compras do supermercado olho para o carrinho e vejo imenso plástico: enlatados, batatas fritas, massa, arroz, gel lubrificante... uma série de coisas. Outra cena onde não tenho cuidado é na roupa que compro - também não compro muita, a meu ver - mas de facto não tenho tido isso em conta e a indústria têxtil é uma das mais poluentes, mas não quero entrar por ai agora que isto já vai longo. Também acredito no equilíbrio, escolhe umas cenas de que não abdicas nem por nada e esforça-te por poupar nas outras - só não não faças nada. 
Eu sei que a maior parte das pessoas se está completamente a cagar... e não admira, quando temos os Chefes Máximos das maiores potências mundiais a dizer que é tudo uma brincadeira e que o planeta está melhor que nunca e continuam a fazer guito à custa de todo o mundo.
Eu sei que é necessária uma mudança à escala mundial e que sem ela os esforços da pessoa comum e individual pouco mudam. Eu sei. Mas ao mesmo tempo, o facto do meu vizinho ter roubado 10.000.000€, não me permite roubar 10€ e sair impune. O facto do meu outro vizinho ter matado dez pessoas - eu vivo num bairro manhoso - não me dá o direito de matar só uma e ser na boa. Não nos podemos desculpabilizar individualmente, pelos erros do próximo. "Desculpe mas a senhora não pode vir trabalhar nua". "Ao menos vim só trabalhar nua aqueles três estão a foder ali ao lado e está uma fila de 15 clientes para atender." Sinto que estou a dispersar.

"É pá, eu não estou para me chatear com isso, eu só só um, que diferença é que vou fazer? Nem consumo assim tanto plástico." Este argumento faz tanto sentido como o argumento "vou votar para quê? Ficam lá sempre os mesmos!" Ó burro do caralho, se calhar, só se calhar, se fores lá e votares noutro, se toda a gente que pensa assim FOR LÁ E VOTAR NOUTRO, TALVEZ NÃO FIQUEM LÁ SEMPRE OS MESMOS! Este crescendo de tamanho de letra tem por intuito exprimir o aumento do meu tom de voz e de irritação sempre que oiço este tipo de argumentos idiotas! Espero que fique explícito.
Continuando:

Eu acredito e gosto mesmo desta frase, fica melhor em inglês, so bear with me:
" 
be the change you want to see in the world.
 "
Quem sou eu para querer mudar o mundo, quando nem a minha própria família eu consegui convencer a fazer reciclagem - uma merda tão básica. Mas cá continuo, na minha ingenuidade, mudando-me a mim própria, com a ambição de ser cada vez melhor, tentando influenciar as pessoas à minha volta, com o objectivo último de salvar o mundo.


Sílvia.


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